Este blog foi criado com o intuito de passar técnicas de reabilitação, aprendidas durante meu processo de reabilitação na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, sede Centro e Lago em Brasilia - DF, como muitos cadeirantes não tem esta oportunidade, quero compartilhar o que aprendi desde julho de 2006 em minha primeira reabilitação. Começando pela obra áudio-visual, que eu desenvolvi ao longo destes anos... Gostou? Siga!
segunda-feira, 4 de julho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
A persistência e o ativismo político das Pessoas com Deficiência
Esta foto acima lembra bem como eu comecei, humildemente vestido,
junto com os populares, mas, será que isso mudou ao longo dessa década de
atuação e fomento dos Direitos das Pessoas com Deficiência?
Já me chamaram de tudo, os pilares dos atuais é egocêntrico e
egoísta, mas, existem algumas perguntas que não calam em minha mente...
Como uma pessoa que luta todos os dias por mais de dez anos,
pelos direitos das pessoas com deficiência e não acumula dinheiro? Digo isso
porque minha poupança tem R$ 0,00 e a conta corrente também, como todos os
brasileiros, eu fui atingido pela crise.
Como eu posso ser egoísta e egocêntrico, atuando de voluntário
pela causa ao longo de uma década?
O mais cômico é ver pessoas com dinheiro e posses, que não
condizem com o que ganham, dizerem isso.
Algumas pessoas pensam que o povo ou a justiça são burros,
andam de carros importados e moram em bairros nobres à custa do trabalho de
outros, mas, vocês tornam-se alvo ao fazerem isso.
Meu ativismo político é ideológico e não monetário como vocês
pensam, as roupas mudaram porque os espaços que eu frequento hoje requerem uma
postura visual, caso contrário eles não te ouvem.
O pior disso é dizerem que como pessoa com deficiência eu
preciso de autoafirmação.
Se ajudar a escrever leis e políticas públicas, se ser
voluntário por uma causa, se isso é autoafirmação, acredito que os dicionários
deveriam ser mudados.
Pessoas que dizem essas afirmações, não veem suas vidas, eu
não acumulei riqueza, talvez você que diz esse tipo de coisa preconceituosa e
nazista, deve ter enriquecido pra se autoafirmar não?
Pessoas com Deficiência continuem nossa luta, digo nossa
porque faço parte dela e mesmo que os outros falem de você, lhe maldigam, não
pare, você tem ideologia, você luta por outras pessoas, garantindo seus
direitos, vocês geram jurisprudência para todos nós.
O ativismo político da Pessoa com Deficiência não deve morrer,
passe por cima das adversidades, entre nos conselhos de políticas públicas,
levantem Organizações Não Governamentais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público.
Somente todos nós, em todos os cantos desse continental país
unidos, tornaremos ele acessível!
Deixo a imagem abaixo para reflexão aos que pensam que eu sou egoísta, egocêntrico e preciso me autoafirmar pra alguma coisa.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Preconceito relacional com a Pessoa com Deficiência
Ao longo dos anos eu percebo um preconceito que antes era
exposto, mas, devido à luta pelos nossos direitos esse preconceito passou a ser
mascarado, porém ainda existe.
Eu namoro com uma pessoa que não tem deficiência
e ela já ouviu todo tipo de absurdo, vou relatar aqui o que eu já ouvi, li e recebi
de informações ao longo dos anos.
ESSES RELATOS NÃO SÃO DA MINHA VIDA PESSOAL, COMO DISSE, É O QUE EU LI E RECEBI DE INFORMAÇÕES!!!
ESSES RELATOS NÃO SÃO DA MINHA VIDA PESSOAL, COMO DISSE, É O QUE EU LI E RECEBI DE INFORMAÇÕES!!!
“Você trocou seu ex-namorado por esse aleijado? Você está
maluca?”
Nessa frase não está explicado que o ex-namorado dela, que eu
conhecia de vista, era envolvido com atividades ilícitas, mas, porque ele era
bonito e tinha carro zero, melhor do que o sujeito atual, as pessoas achavam
que ele era melhor, porque o outro era cadeirante, mas, no vocábulo retrógrado
e preconceituoso, aleijado.
“E se você quiser ter filhos, esse aleijado vai poder te dar
isso?”
Gente onde tem escrito que um cadeirante ou Pessoa com
Deficiência, pode ou não ter filhos, eu tenho vários amigos cadeirantes que
tiveram filhos com suas mulheres e fizeram exames de DNA, não por desconfiar da
mulher, mas, porque seus familiares e “amigos” insistiam que o filho não era
dele, total desconhecimento sobre a vida da Pessoa com Deficiência, sim, nós
podemos ter filhos!
“Você tem certeza que você vai casar com esse cego? Ele já
nasceu com problemas de visão, seu filho pode nascer pior que ele!”
Pessoal eu tenho vários amigos cegos que tiveram filhos,
inclusive dois amigos cegos, um casal de cegos tiveram filhos e todos os filhos
enxergam, gente só acontece o que é pra acontecer.
O preconceito é pior com o acúmulo de características.
“Você trocou seu ex-marido por esse velho, careca, cadeirante
e feio?”
Pessoal a sociedade capitalista empurrou na cabeça de vocês
que o belo, é o sarado, é a mulher magra sem barriga, o homem forte musculoso,
todos lindos e perfeitos. Eu conheço centenas de pessoas que namoraram ou
casaram com o modelo ou a modelo e não foram felizes, viveram de imagem e hoje
lutam justamente pelo contrário, pelo amor.
"Você vai passar a vida empurrando a cadeira dele? Vai dar banho nele? E se você ficar doente, quem vai cuidar dele e de você?"
O amor não vê a idade, sexo, condição física ou mental. Quando
amamos, simplesmente amamos, o amor é um sentimento que não tem preconceito. Eu
sinceramente penso que as pessoas que falam isso, nunca amaram, nunca sentiram
nada por ninguém realmente, namoram com uma aparência, aparência essa que o tempo
muda, aparência essa que inevitavelmente irá envelhecer, felizes aqueles que
conseguem tornar-se uma Pessoa Idosa.
"Você acha que esse aleijado proverá sua vida?"
Essa pergunta acima é machista pura!
Eu escrevo esse post pra você que é o “perfeito”, se é que
isso existe um dia você irá envelhecer isso é um processo natural, muitas
pessoas que eu conheço nasceram sem deficiência alguma, tornaram-se Pessoa com
Deficiência pela guerra do tráfico, uma bala perdida, por um acidente de
trânsito ou até mesmo um acidente doméstico.
Você não é perfeito, você não tem uma vida perfeita, nesse
mundo só Deus e Jesus são perfeitos, todos nós somos humanos, com nossas
potencialidades e deficiências, preconceito hoje é crime e você por uma frase
apenas, com testemunhas, pode ser preso fichado e processado, se sua educação
te impede de respeitar, respeite a lei, porque ela te coloca na cadeia por
isso.
Os cegos podem ter filhos e eles podem nascer com ou sem
deficiência, do mesmo jeito os surdos, cadeirantes e deficientes intelectuais,
todos nós podemos ter filhos e eles podem nascer com ou sem deficiência, não
podemos prever isso.
Reveja seus conceitos e pré-conceitos, saia da ignorância, do
desconhecimento, a informação está aí, mas, a escolha é inevitavelmente sua.
Detalhe da foto: Eu e minha namorada.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
SUS o colapso de um sistema
Em 2010 eu conheci o Controle Social, que é por definição o controle do Estado sobre a sociedade, ou o controle da sociedade sobre as ações do Estado. Nesse caso específico estamos falando do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba - CMS - é um órgão colegiado, de caráter permanente, deliberativo, consultivo e normativo.
Funções do Conselho de Saúde:
Atuar na formulação de estratégias e no controle da execução
da Política de Saúde no município de Curitiba, inclusive nos aspectos econômicos
e financeiros. (Fonte: Site do conselho de saúde na internet)
Eu acessei o conselho pela primeira vez, indicado por uma
organização da sociedade civil, a primeira reunião que participei foi da Comissão
de Saúde da Pessoa com Deficiência do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba, como
disse no início do texto, em 2010. Ao longo dos anos fui aprendendo cada vez
mais sobre o controle social, até que em dezembro de 2013 fui eleito
Conselheiro de Saúde de Curitiba, gestão 2013-2015.
Enquanto fui conselheiro, em uma determinada reunião,
deliberamos sobre um ponto X, o colapso do Sistema Único de Saúde, por falta da
atualização dos valores dos serviços, chegaria um ponto onde o sistema tornar-se-ia
insustentável e chegaria ao colapso. Eu realmente preferia que isso tivesse
ficado na teoria, mas, recentemente participei de uma palestra, proferida pelo
Presidente do Conselho Nacional de Medicina.
Na palestra eu vi slides de fotos e dados de como está a
real situação do SUS no Brasil e o que vi não é nada animador, estamos perdendo
milhares de leitos de saúde no país ao longo dos anos, em alguns lugares do Brasil estamos sem
SAMU, sem médicos e sem insumos, a situação piorou com a crise financeira que se
alastra por nosso país, onde milhões de brasileiros, perderam seus planos de
saúde corporativos e estão voltando ao SUS.
O sistema está literalmente colapsando e a população não
está ciente do que está acontecendo, faltam leitos, médicos, insumos,
remédios... Quando será o colapso? Pelo que vejo está próximo! Como mudar isso?
Nós podemos! Brasileiros, qualquer pessoa pode participar das reuniões dos
conselhos de saúde, elas são públicas!
Em seu Estado e em seu Município, devem existir conselho de saúde, pois ele gere as verbas do SUS e onde tem SUS, deve ter conselho, procure na sua cidade ou no seu estado, veja quando será a próxima reunião e participe!
Se nós continuarmos a ignorar as políticas públicas do nosso país, se nós continuarmos a ficar sentados, assistindo televisão, com seus aparelhos multifuncionais de acesso à internet, apenas reclamando e sem fazer nada, nosso país irá piorar e até mesmo aqueles que ainda não sentiram o impacto da crise e se declaram na zona de conforto, serão atingidos pela gigantesca tsunami que está passando no Brasil.
Se nós continuarmos a ignorar as políticas públicas do nosso país, se nós continuarmos a ficar sentados, assistindo televisão, com seus aparelhos multifuncionais de acesso à internet, apenas reclamando e sem fazer nada, nosso país irá piorar e até mesmo aqueles que ainda não sentiram o impacto da crise e se declaram na zona de conforto, serão atingidos pela gigantesca tsunami que está passando no Brasil.
Procure contribuir com o futuro do nosso país, comece hoje!
Enquanto dá tempo.
Ricardo Vilarinho foi e é:
Conselheiro Municipal de Saúde de Curitiba gestão 2013-2015
Vice-coordenador da Comissão
de Saúde da Pessoa com Deficiência gestão 2014-2016 e da atual gestão 2016-2018
Membro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência
do Estado do Paraná – COEDE – gestão 2014-2016
Conselheiro do Conselho Estadual de Assistência Social do
Paraná - CEAS - gestão 2014-2016
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Nomenclatura e a segregação do ativismo político voltado às Pessoas com Deficiência
Essa foto retrata bem o MEU modo de pensar sobre a causa, em
mais de uma década de luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, eu
encontrei diversos pseudos líderes do movimento, o pior é encontrar pessoas que
aceitam serem lideradas por pessoas assim.
Eu acredito que a luta pelos nossos direitos, deve ser feita
baseada na união, na nossa união, sejam Pessoas com Deficiência Física, cegos,
surdos ou quais quer tipos de Pessoas com Deficiência. Da forma que estes
pseudo líderes pregam que cada um deve puxar a sardinha pro seu lado, o
movimento enfraquece.
Na foto nós temos um surdo, um cego e uma Pessoa com Deficiência
física, nós lutamos juntos, uns pelos direitos dos outros, em todos os espaços
públicos onde buscamos o fomento e o respeito aos nossos direitos, a união faz
a força e assim deve ser.
A partir do momento que você segrega o movimento, colocando
cada um em seu canto, em paralelos fictícios sociais, no processo que começou
em Varsóvia, mais conhecido por guetização, ou seja, cada um em seu gueto.
A divisão empobrece a luta, a segregação de uma parcela da
sociedade que já é segregada, não tem lógica em minha linha de raciocínio,
defender isso é um insulto a todos que ao longo dos anos, lutaram por nossa
união.
Para reflexão:
Coloque um grupo de surdos em uma sala e peça a todos que levantem as mãos,
depois outro grupo de cegos em uma sala e peça que eles gritem: Resistência! Da
mesma forma com os cadeirantes.
Agora reúna todos em uma grande sala e peçam pra que todos
levantem as mãos e a quem consegue, grite!
Qual foi a imagem ou o som mais forte?
terça-feira, 24 de maio de 2016
O preconceito morrerá com a evolução da nossa espécie, rumo a um planeta sustentável.
Essa foto reflete um preconceito subliminar, vendo ela está um
casal dito como normal deitado em uma cama, pelos trajes parecem pessoas
socialmente e profissionalmente bem sucedias, mas, será que é isso mesmo?
Na foto não diz que eu sou uma pessoa com deficiência e se ela fosse parte de uma matéria de revista, tudo bem, está condizente com o que o mercado quer, mas, e na realidade?
Em uma década nessa cadeira de rodas, eu já passei e passo todos os dias por olhares preconceituosos, de pessoas sem nenhuma deficiência e pasmem, até de pessoas com deficiência.
Nesse momento estou fazendo um curso de gestão em uma faculdade, eu já cursei administração no passado e olhando os dois moldes, o que aprendi lá atrás é totalmente diferente do que é pregado atualmente na academia.
A frase que impera é: Líderes globalmente responsáveis.
Mas, onde está a responsabilidade em pessoas preconceituosas?
Pessoas egoístas, egocentristas e arrogantes?
Eu tenho um recado pra esse tipo de pessoa, procure evoluir, esse paradigma está sendo reciclado com a sustentabilidade.
O preconceito deve ser extirpado de nossa sociedade, para um futuro sustentável, o respeito pelo próximo é a máxima pregada na administração sustentável atual, crescer a qualquer custo faz parte do passado.
Nosso país possui uma lei de cotas para Pessoas com Deficiência a LEI 8.213/91 , mas o que vejo e percebo são empresas que continuam contratando pessoas com deficiência para cargos de operação, produção e auxiliar.
Pessoas com Deficiência com super competências crescem fora dessa realidade e por muitas vezes entram em determinados negócios fora da lei de cotas, porque o preconceito sistêmico corporativo, os impede de acessar cargos de nível elevado na hierarquia das organizações.
É triste ver isso, porém, pelo que eu estudo cada dia, essas empresas deixarão de existir, porque sua legitimidade social será abalada e negócios necessitam da sociedade, pois, sem ela empresas não sobrevivem.
Gestores quebrem esse paradigma, existem milhões de pessoas com deficiência em nosso país, com altas habilidades e competências, de a oportunidade para elas e você verá a mudança profissional de seus colaboradores.
Lembrem-se: As empresas que não abraçarem a sustentabilidade, serão engolidas evolutivamente, como os Homo ergaster (Administração Clássica) evoluiu até o Homo Neandertal (Escola de Chicago) e a Administração voltada para a sustentabilidade (Homo Sapiens).
Deixo o comparativo evolutivo para reflexão.
sábado, 21 de maio de 2016
Já fazem 10 anos? Como passa rápido! Dia 17 de maio de 2006 eu
sofri o acidente, dia 21 saí da terapia intensiva e fui para o quarto,
sobrevivi e o diagnóstico era de viver em uma cadeira de rodas, na verdade eu
agradecia por estar vivo!
Nesses dez anos eu rodei muito, estudei, aprendi muitas
coisas, coloquei em prática, sempre fui otimista, porque minha fé me guiava, eu
gosto de desafios e viver em uma cadeira de rodas, trás desafios diários.
Eu comecei a superar esses desafios, porque era o que eu podia
fazer, mas, ao longo do tempo decidir ir além, superar meus próprios limites, eu
decidi lutar pelos meus direitos e fazendo isso, comecei a lutar pelos direitos
de todas as Pessoas com Deficiência.
Ao longo de uma década ajudei a criar centenas de políticas
públicas para as Pessoas com Deficiência, inclusive leis e um conjunto de leis,
esse é o meu legado que quero compartilhar com vocês, principalmente com os que
estão saindo das UTIs e CTIs agora.
A vida não termina porque você está em uma cadeira de rodas,
pelo contrário, é um recomeço uma segunda chance, existe um mundo inteiro de
possibilidades.
Aqueles que me conheceram antes do acidente e dizem que depois
do acidente eu mudei e me tornei outra pessoa, é porque só depois de morrer e
voltar, me dei conta de quantas coisas eu poderia fazer e fiz.
Por isso caro leitor, viva, tente e se não dé certo, tente de
novo e mais uma vez, a persistência é quem fará você ultrapassar todos os
limites e um dia, fazer como eu faço agora, olhar pra trás e ver uma trilha de
vitórias e superações.
Acabou? Não! Continua! Que venham mais umas décadas!
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